Estudo: Mudanças culturais no Brasil – A escolha de não ter filhos ou adiar a maternidade



Dezembro de 2022, estudo feito pela Famivita com mais de 2.100 mulheres entre 12 e 20 de setembro de 2022: Ao longo das décadas, uma série de mudanças culturais têm sido vistas no mundo, sendo uma delas a desconstrução da maternidade compulsória. Desse modo, é crescente o número de mulheres que optam por adiar o momento de ser mãe ou por não ter filhos. A lista de motivos para essa escolha vai desde a conquista da estabilidade econômica e realização na carreira, passando por motivos de ordem sexual ou enfermidades, até simplesmente pela mulher não se identificar com a ideia da maternidade.

A rejeição aos modelos tradicionais de comportamento trouxe até o surgimento de uma nova geração, denominada “NoMos” (abreviação de Not Mothers – Não Mães). Seguindo essa diminuição e adiamento relacionado ao tema, em levantamento realizado a partir do Sistema de informações sobre nascidos vivos do Ministério da Saúde, no Brasil, o número de mulheres que tiveram filhos entre os 35 e 39 anos aumentou em 71% nos últimos 20 anos. E, conforme constatado em nosso mais recente estudo, 45% das brasileiras não pretendem/não sabem quando terão filhos.

Quando você pretende ter filhos?

Fecundidade em declínio

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), desde a década de 1970, a Taxa de Fecundidade no país não para de cair. Este índice utilizado na demografia se refere ao número médio de filhos nascidos vivos, tido por uma mulher ao final do seu período reprodutivo, em uma específica unidade geográfica (podendo ser países, regiões metropolitanas ou municípios, por exemplo), em um determinado período de tempo. Geralmente, a Taxa de Fecundidade é expressa em filhos/mulher e, para efetuar o cálculo, considera-se no período reprodutivo mulheres de 15 a 49 anos de idade.

Há 20 anos, a mulher brasileira tinha, em média, 2,9 filhos. Em 2034, esse número será de apenas 1,5 filho, e deve permanecer estacionado por quase três décadas, conforme a Projeção da População do Brasil por sexo e idade para o período 2000/2060, feito pelo IBGE. E, ainda de acordo com o nosso estudo, 86% das brasileiras afirmaram que o parceiro compartilha da mesma ideia quando se fala em adiar ou mesmo em não ter filhos.

Seu parceiro compartilha da mesma ideia e prazo?

  • Entre as mulheres dos 25 aos 29 anos, 23% apontou não pretender ter filhos.
  • Já na faixa etária dos 30 aos 34 anos, esse número foi um ponto percentual menor, com 22%.
  • O número das que não sabem quando pretendem ter filhos é maior dos 18 aos 24 anos, com 28%.
  • Entre as que afirmaram planejar ter filhos, 30% respondeu que os planos seriam para os próximos 6 meses.
Cuidando da saúde

De maneira geral, na medicina, o período entre os 20 e os 30 anos de idade é visto como o momento ideal para as mulheres que desejam engravidar, porque usualmente a fertilidade está no ápice e o corpo mais bem preparado para a gestação, com óvulos mais jovens. Isso representaria uma menor probabilidade para eventuais complicações, tanto para a mãe como para o bebê.

Assim, há especialistas no assunto que já consideram a gravidez aos 30 anos como tardia. Mas, para algumas mulheres, essa fase é a melhor para se pensar na maternidade, pois elas já adquiriram mais experiência de vida, se sentindo mais prontas para criar uma criança. Além disso, o seu corpo ainda está apto a gerar um bebê, embora os riscos e a dificuldade para engravidar possam aumentar. E, conforme o nosso estudo, 74% das brasileiras cuidarão especificamente da saúde para ter fertilidade quando pretenderem engravidar.

  • Em especial no Mato Grosso do Sul, as mulheres informaram que cuidarão da saúde para ter fertilidade quando o objetivo for engravidar, com 86%.
  • No Distrito Federal, 92% das participantes destacaram que o parceiro compartilha da mesma proposta e prazo para ter filhos.
  • No Rio de Janeiro, 67% afirmou estar atenta à saúde, para que a fertilidade esteja em dia quando desejar engravidar, contra 76%, em São Paulo e 79%, no Espírito Santo.
Índice das brasileiras que não pretendem ter filhos ou não sabem quando, por estado
Ranking dos estados em que brasileiras cuidam da saúde para ter fertilidade
  • 1. Mato Grosso do Sul
  • 2. Rio Grande do Sul
  • 3. Alagoas
  • 4. Paraíba
  • 5. Paraná
  • 6.Espírito Santo
  • 7. Amazonas
  • 8. Ceará
  • 9.Pernambuco
  • 10.Santa Catarina
  • 11. Minas Gerais
  • 12. Bahia
  • 13. São Paulo
  • 14.Piauí
  • 15.Mato Grosso
  • 16.Maranhão
  • 17.Pará
  • 18.Distrito Federal
  • 19. Goiás
  • 20. Rio de Janeiro
  • 21. Rio Grande do Norte
  • 22.Rondônia
  • 23. Roraima
  • 24. Sergipe
  • 25. Tocantins
  • 26. Acre
  • 27.Amapá
Método de Pesquisa

O estudo teve abrangência nacional e foi realizado com mais de 2.100 mulheres entre 12 e 20 de setembro de 2022. O método de coleta de dados foi feito por meio de questionário em formulário na internet.

As seguintes questões foram abordadas:

  • Quando você pretende ter filhos?
  • Seu parceiro compartilha da mesma ideia e prazo?
  • Você cuida ou cuidará especificamente da sua saúde para ter fertilidade quando pretender engravidar?
  • Seu parceiro cuida ou cuidará da saúde para ter fertilidade quando pretenderem engravidar?

Para efeitos de comparar os resultados entre regiões e estados, as respostas das perguntas afirmativas foram contabilizadas em números, 1 para “sim” e 0 para “não”. Algumas perguntas, com objetivo de obter resultados mais qualitativos, foram elaboradas com mais opções.