Estudo: Uso do preservativo no Brasil – Um panorama sobre sexo seguro na atualidade



Fevereiro de 2023, estudo feito pela Famivita com mais de 2.100 participantes entre 19 de dezembro de 2022 e 02 de janeiro de 2023: Aproximadamente 1 milhão de pessoas afirmaram ter diagnóstico médico de Infecção Sexualmente Transmissível (IST) ao longo de 2019, correspondendo a 0,6% da população com 18 anos de idade ou mais. O dado é da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgada em 2021, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já o Unaids – programa das Nações Unidas, desenvolvido para prevenir o avanço do HIV – apontou que entre 2010 e 2018, por exemplo, a taxa de transmissão do vírus no Brasil cresceu 21%, enquanto sofreu queda de 16% em todo o mundo.

Sabe-se que o uso de preservativos, as famosas “camisinhas”, são cruciais na redução da incidência de IST. Além disso, elas dispõem de um papel essencial quando se fala em evitar gestações não planejadas, tendo em vista que no país, inclusive, a iniciação sexual é cada vez mais precoce. Segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), por exemplo, um em cada sete nascimentos é oriundo de mães adolescentes. E, relacionado ao tema, nosso último estudo revelou que 64% da população não costuma utilizar preservativos na relação sexual.

Você costuma usar preservativos na relação sexual?
Confiança no parceiro

As IST ‘s figuram entre os problemas de maior impacto sobre os sistemas públicos de saúde e a qualidade de vida das pessoas, seja no Brasil, seja no mundo. São causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos, estando entre eles o herpes genital, sífilis, gonorreia, HPV, clamídia, tricomoníase, além das hepatites virais B e C, podendo, dependendo da enfermidade, evoluir para sérias complicações.

O preservativo é considerado o método de proteção mais acessível à população. No Brasil, é direito de todos, inclusive, retirar camisinhas nas unidades de saúde. O Governo Federal também oferece o Disque Saúde (136), com o objetivo de informar pontos onde há camisinhas disponíveis.

É preciso enfatizar que sexo seguro é um ato de autocuidado, dizendo repeito à pessoas solteiras, casadas, em relações monogâmicas ou não, já que não há como garantir que seu par fará sexo protegido com outras pessoas. Isso porque um levantamento realizado pelo IBGE, evidenciou que, entre os brasileiros que não usaram preservativo na última relação que tiveram, em 12 meses, 73,4% afirmaram que não o fizeram por confiarem no parceiro. E, em nosso estudo, 88% dos entrevistados apontaram ter um relacionamento fixo, sendo que 33% explicaram que já mantiveram relação sexual fora de um relacionamento, sem preservativo.

Você já manteve relação sexual fora de um relacionamento, sem preservativo?

  • Do total geral de participantes, com idade entre 40 a 44 anos, 72% apontaram não ter o costume de usar camisinha.
  • Já na faixa etária que vai dos 25 aos 29 anos, 68% afirmaram não fazer essa utilização.
  • Especialmente entre 18 e 24 anos, os integrantes disseram já ter tido relação sexual sem preservativo, fora de um relacionamento, com 39%.
  • Já dos 25 aos 29 anos, esse número foi de 33%.
Índice das brasileiras e brasileiros que costumam usar preservativo na relação sexual, por estado
A evolução do preservativo: uma breve linha do tempo

A primeira camisinha com reservatório para o esperma surgiu em 1901, nos Estados Unidos, mas a verdadeira evolução delas veio com aquelas feitas de látex, a partir de 1880. Tal fato representava um avanço, pois desse modo elas eram mais finas do que as iniciais, de borracha, necessitando de um menor trabalho para serem produzidas.

Estima-se que em 1935 cerca de um milhão e meio de camisinhas foram comercializadas nos Estados Unidos. Nos períodos seguintes, contudo, elas caíram em desuso, principalmente após o advento da pílula anticoncepcional.

A partir de 1980, o HIV modificou a consciência mundial a respeito da sexualidade, notadamente quando se fala em sexo seguro. Assim, a camisinha voltou à cena, e como uma heroína, posto que é o único método capaz de reunir, em apenas uma ferramenta, a prevenção à gravidez indesejada e às infecções sexualmente transmissíveis.

No Brasil da década de 1980, por exemplo, começo da epidemia de HIV, os preservativos eram distribuídos apenas em datas específicas, como o Carnaval e o “Dia Mundial de Luta Contra Aids”, mas, de 1994 em diante, iniciou-se a distribuição ampla deles, através do Sistema Único de Saúde (SUS), facilitando o acesso da população. E o nosso estudo também trouxe a informação que 92% dos entrevistados sabem que o preservativo evita as IST ‘s.

  • 94% das pessoas entrevistadas, entre 25 e 29 anos , disseram saber que preservativos evitam IST ‘s.
  • 88% dos homens afirmaram ter ciência que a camisinha previne as infecções, contra 93% das mulheres.
  • No Distrito Federal, 52% dos integrantes do estudo explicaram ter o costume de fazer uso dos preservativos; em São Paulo, esse número foi de 37%; em Minas Gerais, de 29%.
Ranking dos estados em que brasileiras e brasileiros já mantiveram relação sexual, fora de um relacionamento, sem preservativo
  • 1.Amazonas
  • 2.Goiás
  • 3.Alagoas
  • 4.Mato Grosso do Sul
  • 5.Acre
  • 6.Paraíba
  • 7.Espírito Santo
  • 8.Pará
  • 9.Amapá
  • 10.Roraima
  • 11.Rondônia
  • 12.Santa Catarina
  • 13.Piauí
  • 14.Mato Grosso
  • 15.Bahia
  • 16.São Paulo
  • 17.Distrito Federal
  • 18.Ceará
  • 19.Paraná
  • 20.Tocantins
  • 21.Pernambuco
  • 22.Minas Gerais
  • 23.Rio Grande do Sul
  • 24.Maranhão
  • 25.Rio de Janeiro
  • 26.Rio Grande do Norte
  • 27.Sergipe
Método de Pesquisa

O estudo teve abrangência nacional e foi realizado com mais de 2.100 pessoas, entre mulheres e homens, no período que compreende 19 de dezembro de 2022 e 02 de janeiro de 2023. O método de coleta de dados foi feito por meio de questionário em formulário na internet.

As seguintes questões foram abordadas:

  • Você costuma usar preservativos na relação sexual?
  • Você já manteve relação sexual fora de um relacionamento, sem preservativo?
  • Você sabia que preservativos evitam infecções sexualmente transmissíveis?
  • Você tem parceiro(a) fixo(a)?

Para efeitos de comparar os resultados entre regiões e estados, as respostas das perguntas afirmativas foram contabilizadas em números, 1 para “sim” e 0 para “não”. Algumas perguntas, com objetivo de obter resultados mais qualitativos, foram elaboradas com mais opções.